Minha avó entende mais de risco do que meu gerente de banco


Há algo a se considerar sobre ditados populares que sobreviveram ao tempo. Eles foram forjados pela experiência, tem sua história e devem ser respeitados. Essa é a avaliação do analista de risco libanês radicado nos Estados Unidos, Nassin Nicholas Taleb. Ele não tem a mesma benevolência com burocratas, intelectuais, acadêmicos, jornalistas e gerentes de banco, que, segundo Taleb, entendem de teorias e quase nada de vida prática.


Intelectual extremamente respeitado no mundo financeiro, Taleb chega a dizer que sua avó entende mais de riscos do que o gerente de banco. E sua afirmação não é deboche nem exagero. Na visão de Taleb, quem passou pelo teste do tempo é mais confiável do que qualquer estudo de riscos. Seu grande incômodo é com pessoas que tomam decisões, que interferem na vida dos outros e não correm riscos, não arriscam a própria pele.


Estudos e tendências de riscos são inseguros


Quando vivemos situações-limite não sabemos que rumo tomar, seja em uma pandemia mundial ou uma mudança de vida pessoal. Em uma crise, é comum especialistas e intelectuais apresentarem e sugerirem caminhos. Mas estudos e tendências de riscos não podem ser tomados como verdade absoluta, diferentemente de um conselho de vó.


Entender o conservadorismo, a audácia e os aprendizados que a sabedoria popular, que é capaz de superar crises e o tempo, reforça o tema ergodicidade, uma das ideias apresentadas por Taleb. 


E ergodicidade aplicada à economia:

“Em Economia, um sistema ergódico é aquele no qual se pode prever eventos futuros por meio da estimação estatística da probabilidade de recorrência de eventos passados. Essa regularidade só seria possível se não houvesse nenhuma mudança estrutural e/ou sistêmica.” Fernando Nogueira.

Para que uma oportunidade, um risco, tenha validade, Taleb afirma que é preciso que ele passe pela ergodicidade, se mantenha pelo tempo e suas incertezas, sua dinâmica e exista em conjunto com os demais sistemas complexos.


Logo, não acredite em tudo que os especialistas dizem sobre crises.


Eles não entendem de complexidade e, sim, de especialidade, de aprofundamento em um único tema de maneira linear.


A informação deles vem de um caminho, da visão de uma área, de um ponto e não da dinâmica, do todo e dos sistemas interligados.


Afinal, a soma das partes é maior que o todo.


Para explicar de maneira bem simples, estudar a anatomia e o comportamento de apenas uma formiga não traz o entendimento e funcionamento da colônia.


Especialistas vão fundo em um tema e esquecem dos nós, das interconexões que coisas, pessoas, sistemas vivem e se apresentam. 

“Eles não conseguem entender a ideia de que, empiricamente, sistemas complexos não têm óbvios e unidimensionais mecanismos de causa e efeito” Taleb.

Taleb, além da ideia de complexidade, também faz crítica aos discursos dos economistas, jornalistas e demais profissionais que orientam os caminhos da humanidade sem arriscarem a própria pele. Àqueles que falam sem obter a experiência do fazer.

“Não se pode separar conhecimento do contato com o chão” Taleb

Soma-se, também, aos discursos, que eles fazem e não vivenciam as consequências das suas falas.


Por isso, ao conversar com um gerente de banco que te oferece um investimento, pergunte qual seria prática dele.


Qual o portfólio de investimentos que o gerente faria para si mesmo?


A prática dele pode não ser condizente com a proposta ofertada a você. Há interesses encobertos na venda e nas entrelinhas de um contrato.


Taleb cita que a modernidade e a burocracia geraram essa transferência de riscos.

Diferentemente da época da monarquia, onde reis arriscavam suas vidas nas batalhas e morriam à frente de seu povo. O livro cita que, historicamente, não temos casos de reis e monarcas que morreram de velhice, fechados e enclausurados.


A maioria estava à frente de lutas e batalhas representando o seu povo e, para além dos discursos, arriscando a própria pele.


Não há soluções, muito pelo contrário. O que o autor reforça com os seus pensamentos e divagações sobre o contexto da incerteza na vida. Trata da volatilidade, acaso e a instabilidade que sistemas dinâmicos apresentam na economia, nos investimentos, nas relações internacionais, na biologia e no comportamento humano.


Além dos acontecimentos da macroeconomia, como: pandemia, crise mundial, inflação, negociações internacionais, há as crises pessoais de um divórcio, um vício ou viver uma ruína por arriscar um investimento com consequências sistêmicas.


 Por isso, viver é além de ciência e conhecimento.

“Para ter sucesso, você deve primeiro sobreviver”. Taleb

Na vida real, é preciso se preparar para as incertezas e viver, até mesmo, um certo conservadorismo para não a arruinar.


A dica em não investir todas as fichas em apenas um plano de investimento e escolher bem os riscos fazem parte de algumas lições do livro.

“Uma pessoa pode amar correr riscos, mas ser completamente avessa à ruína” Taleb.

Há momentos em que prevenir é melhor que remediar e outros em que quem não arrisca não petisca.


O livro Arriscando a própria pele: assimetrias ocultas no cotidiano, do autor Nassim Taleb, lançado em 2018, faz parte do projeto Incerto no qual compõem os livros: Iludidos pelo Acaso, A Lógica do Cisne Negro, A Cama de Proscrustes e Antifrágil. 


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